Archive for the Livros Category

Moral Combat 1 X Fumaça Humana 0

Posted in Livros, Segunda Guerra Mundial on julho 2, 2011 by ccmaximus

“Moral Combat” não é um livro que irá trazer novas informações sobre a Segunda Guerra Mundial. Mas ele reajusta de forma salutar algumas idéias que têm sido formadas nestes tempos de moralidade cinzenta, ignorante das verdades que todos conheciam em épocas mais próximas da guerra. Michael Burleigh trata do conflito nos termos totalizantes que faziam sentido na década de 1940, mas que se perderam em momento mais recente: havia um lado certo e bom, outro torpe e perverso. O lado bom precisou sacrificar seus princípios para derrotar o adversário, que era indiferente ao apaziguamento e ao diálogo, e que entendia a guerra como um instrumento de renovação e purificação social e espiritual.

Por incrível que pareça, hoje em dia é preciso explicar que o apaziguamento de Neville Chamberlain não surgiu de pusilanimidade, mas do espectro tenebroso da então recente Primeira Guerra Mundial – Burleigh pode não revelar grandes novidades, mas é útil a informação contida no livro de que o primo e melhor amigo do Primeiro Ministro foi um dentre as centenas de milhares de britânicos esfacelados nas trincheiras da França em 1916. Alguns professores universitários de história e de relações internacionais aqui do Brasil deveriam ler um pouco sobre Verdun e o Somme, se quiserem entender direito a década de 1930.

“O Bem e o Mal” durante a Segunda Guerra é o subtítulo do livro de Burleigh. Os críticos que celebraram refugo do tipo do “Fumaça Humana” parecem viver no tempo pré-1939 em que o Führer alemão ainda era chamado de “Herr Hitler” na imprensa Ocidental, uma incógnita cuja capacidade de matar e destruir era até então desconhecida. Burleigh revela ter escrito o “Moral Combat” como uma resposta direta ao “Fumaça Humana”, mas é uma pena que seu trabalho não tenha merecido a mesma atenção do que a excrescência de Nicholson Baker aqui no Brasil. Mais provável que nossos resenhistas considerem Burleigh um historiador “maniqueísta”, se chegarem a ler a orelha do livro antes de escrever a seu respeito.

Basicamente, qualquer um faz o que quer com qualquer documento.

Posted in História da FEB, Livros, Memórias da FEB on junho 6, 2011 by ccmaximus

Qualquer historiador sabe que um documento em si não prova nada – já dizia o Bátima no “Feira da Fruta”.
Sem interpretação e sem análise, os documentos não falam por si.

Esse truísmo deve ser expandido para “nem mesmo as mais elementares análises documentais são sempre clara e honestamente entendidas”, especialmente por quem sofre do vício de procurar um escândalo por trás de todo e qualquer evento.

Vide:

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/924078-frio-e-comida-ruim-prejudicaram-acao-de-brasileiros-na-2-guerra.shtml

Afinal, em qual ponto do livro está escrito que os “pracinhas” tinham problemas de motivação para o combate?

Será possível algum dia simplesmente entender os eventos do passado, com todas suas contradições e complexidades, sem os alardes do sensacionalismo barato?

Comentando alguns trechos da resenha do “Barbudos”

Posted in História da FEB, Livros, Saiu na imprensa... on abril 25, 2011 by ccmaximus

Depois de algumas semanas da publicação da resenha na FSP, hoje conversei com um colega de profissão que me perguntou por que eu tinha julgado que o texto do jornal havia sido impreciso. Cito aqui alguns trechos, com comentários. Lógico, essa polêmica só interessa a meia dúzia de historiadores e demais interessados na história da FEB. Para o resto da humanidade, a discordância com o jornal já se trata de algo insignificante e esquecido.

“A posição ajuda a explicar a falta de preparo dos brasileiros que foram lutar na Itália, conforme novas pesquisas estão revelando.
Elas mostram que os pracinhas mal sabiam usar as armas que recebiam do exército americano. Deixam claro, ainda, que os aliados chegaram a ficar preocupados com a pouca experiência dos colegas que chegavam para lutar na guerra.”

As “novas pesquisas” não estão revelando que os brasileiros chegaram despreparados à Itália. A falta de treinamento da FEB já é conhecida desde o tempo da guerra, e Mascarenhas de Moraes discutiu bastante o assunto em 1947. O que o livro procura explicar e avaliar são as razões deste despreparo. De onde elas teriam se originado? Da incapacidade dos soldados em aprender? Da suposta sabotagem à FEB, causada pelas omissões de parte da liderança militar em apoiar o preparo da expedição (algo que Mascarenhas também denunciou em 1947)? Da doutrina francesa?

E a respeito da falta de proficiência com as armas, não há explicação sobre em qual momento da campanha o problema foi mais evidente – algo que é uma discussão fundamental no livro. Quais armas eram desconhecidas? Por qual unidade da FEB? Por quê? Quando? Essas são perguntas que um historiador profissional não deixaria de fazer, ao tentar entender um tema tão delicado.

Além disso, parte considerável do livro tenta entender como a correção destes problemas foi conduzida. “Pouca experiência” de uma tropa que acabou de chegar à guerra é claramente um oxímoro. O desempenho em combate precisa, necessariamente, ser entendido ao longo do processo de aquisição de experiência, instrução pré e pós engajamento no front.

“Um desses documentos mostra que, em 1945, os americanos reclamavam que as deficiências de treinamento dos brasileiros causavam baixas desnecessárias às forças aliadas.

A motivação da bronca tinha sido um erro pueril cometido em 12 de dezembro de 1944 por um grupo de combate da FEB. Os brasileiros invadiram uma casa cheia de alemães, matando todos os inimigos.

Partiram, no entanto, sem inspecionar o porão. Um único soldado alemão ficara escondido por lá. Após a “lamentável negligência”, ele, sozinho, metralhou 17 brasileiros pelas costas, matando todos eles.”

O documento citado não é originário dos observadores americanos. O livro identifica claramente a autoria do relatório: foi emanado da Infantaria Divisionária, e é assinado pelo General Zenóbio da Costa. Qualificar como “erro pueril” um incidente de combate que custou a vida de DEZESSETE SOLDADOS, além de maldoso, é um tipo de julgamento que o livro faz questão de evitar. O aspismo ao citar a “lamentável negligência” não deixa claro se a expressão provém do livro. Na verdade, ela é uma citação textual do próprio documento brasileiro.

A menção desconexa feita ao documento reproduzido no jornal também desconsidera um fator importante para sua interpretação, que é o fato do incidente ter envolvido uma fração de tropa ainda sem treinamento completo, mas que apresentou alto nível de agressividade na ocasião. Esse pormenor deve ser considerado quando se procura entender o desempenho em combate da tropa brasileira nos primeiros ataques ao Monte Castello e os problemas de treinamento que envolveram a formação da divisão.

Há mais coisas, mas vou parar por aqui.

É ainda possível escrever algo novo sobre a Guerra Civil Americana?

Posted in Livros, Novas Dimensões da História Militar on abril 10, 2011 by ccmaximus

Ao menos do ponto de vista do emprego de armamentos, sim: o livro de Earl J. Hess, “The Rifle Musket in Civil War Combat”, lançado em 2008, certamente colocou o autor em uma posição vantajosa se comparado com os demais trabalhos historiográficos que analisaram o impacto da introdução das armas raiadas nos campos de batalha do século XIX. Hess demonstra por que o fuzil teve eficácia relativa nos enfrentamentos entre confederados e yankees, e por que o mosquete de alma lisa permaneceu sendo usado de maneira eficaz no conflito.

Quais os critérios do MinC?

Posted in Livros, Saiu na imprensa... on março 21, 2011 by ccmaximus

Como alguém que vive de atividades que remotamente podem ser ligadas à esfera do “cultural”, não deixo de me espantar com o hábito de artistas brasileiros acreditarem que o Estado deve ser o grande fiador do seu trabalho. Obviamente essa impressão foi aumentada com o fato de Maria Bethânia, que no mínimo vive confortavelmente com a renda de shows e venda de CDs, arrogar-se a necessidade de dinheiro público para um projeto pessoal. A discussão ficou divertida com menções a uma suposta “elite branca paulista”, especialmente para este autor que descende de humildes imigrantes italianos que fugiram da fome e precisaram disputar restos de comida com os ratos nos porões do navio que os trouxe ao porto de Santos.

Absorto na leitura de relatórios datados de fevereiro de 1945 já há uns bons dias, confesso que estava alheio a esse quiproquó, para o qual minha atenção foi despertada pelo meu amigo Joaquim Ghirotti, também um carcamano.

Nos últimos dias li textos de blogs de uma variedade de tendências políticas discutindo com propriedade o acinte que consiste em financiar com dinheiro público uma série de declamações de poesia que seriam filmadas e postadas na Internet. Do total aprovado no projeto, 600 mil reais seriam destinados à própria cantora. Sem menção de pagamento dos direitos dos poetas, esses sim autores dos poemas. É uma quantidade de dinheiro que a maioria dos brasileiros sequer jamais vai ver.

Não sou totalmente desfavorável à idéia de que projetos culturais sejam financiados com dinheiro público. Mas o que eu gostaria de ver seria a aprovação de projetos de artistas e autores iniciantes, sem vínculos com as panelas da produção cultural. O mais incrível é que vários produtos financiados com dinheiro público nem chegam a ser oferecidos para venda aos potenciais interessados: são dados como presentes institucionais aos altos escalões das empresas e fundações que os financiam, em rapapés de lançamento secretos para os quais a plebe jamais é convidada. Suponho que os “refreshments” das festinhas também entrem no orçamento do “projeto”.

Posso me dar por feliz, pois já publiquei razoavelmente, sem jamais ter utilizado um centavo de dinheiro público. Sim, o IRMÃOS DE ARMAS tem um selo da Lei Rouanet, mas está disponível no site do MinC o total de dinheiro captado para o projeto: zero. Não foi preciso auxílio para a publicação do livro, pois seu orçamento era baixo. E de qualquer maneira, a renda do livro foi destinada à Associação dos Ex-Combatentes de São Paulo.

Por outro lado, conheço um bom punhado de autores brilhantes, responsáveis por pesquisas produzidas tanto na academia quanto fora dela, que têm seus trabalhos de história apanhando poeira por falta de editoras que se interessem – mas principalmente, por falta de conhecer os “canais” que possibilitem o tal apoio. E não há como negar: em quaisquer circunstâncias, os critérios de aprovação dos trabalhos a serem considerados aptos para receber dinheiro serão sempre nebulosos. Quem decide afinal qual obra tem mérito e merece ser levada adiante? Sob quais parâmetros?

Em condições ideais, o que deveria definir o ciclo de vida de uma obra é sua qualidade: livros, filmes e demais produtos sobreviveriam porque são bons e suscitam interesse. Quem deseja viver da autoria de livros precisa entender que essa pretensão demora anos para se concretizar, e que com freqüência isso demanda um grau de dedicação obsessivo e monástico, se é que algum dia você deseje pagar suas contas com o que recebe dos direitos autorais. A não ser que você tenha uma história tão boa quanto a da Bruna Surfistinha.

Longe do meu gosto musical, Maria Bethânia é de qualquer forma uma artista de primeiro time. Ela tem fãs suficientes que podem garantir a solidez de mercado de qualquer coisa que produza. Infelizmente, o mundo do financiamento dos projetos culturais continua sendo um mar de encouraçados onde de vez em quando se arriscam alguns caça-minazinhos.

E a pirataria de livros continua solta.

Posted in Livros on novembro 11, 2010 by ccmaximus

Incrível a quantidade de blogs brasileiros que oferecem versões piratas de livros para download.

Alguém com o hábito de baixar cópias ilegais de livros realmente espera poder, no futuro, continuar a ler livros de autores nacionais tratando de temas de nossa história?

Tarde chuvosa em SP…

Posted in Livros, Memórias da FEB, Memórias de Guerra, Segunda Guerra Mundial, Textos on novembro 9, 2010 by ccmaximus

Agradeço pela presença de todos que foram até a Livraria da Vila no sábado. Foi ótimo passar a tarde com veteranos e amigos.
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