PROVAÇÕES FÍSICAS trecho de BARBUDOS, SUJOS E FATIGADOS

Trecho de “Barbudos, Sujos e Fatigados”, disponível no site da Grua.

http://www.grualivros.com.br/

“Além do contato direto e constante com o terreno, sugerindo recordações de um estado corpóreo miserável, a experiência de combate da FEB durante o inverno ocorreu predominantemente em ambiente natural.

Em raras ocasiões, os soldados dos pelotões de fuzileiros tinham a oportunidade de ocupar casas de fazenda de italianos, que nem sempre eram convenientes, visto serem frequentemente visadas pelos observadores alemães, sempre colocados algumas centenas de metros acima da infantaria aliada.

Mesmo para um visitante sem conhecimento específico de assuntos militares que tenha a oportunidade examinar os antigos campos de batalha da FEB, é possível constatar o total domínio exercido pelos alemães sobre os vales adjacentes, por meio de atiradores de elite e observadores de artilharia que dirigiam tiros de precisão.

Entretanto, mesmo se abrigando em casas, que pela sua relativa segurança alguns soldados preferiam aos foxholes, não era possível obter grande aumento de conforto. Em Verdades e vergonhas da Força Expedicionária Brasileira, Leonercio Soares narrou a situação em que se encontrava seu pelotão dentro de uma residência de italianos. A descrição das condições insalubres da casa ocupada pelo grupo de Soares recorda a crueza de detalhes sobre o estado corpóreo dos soldados, já identificada no poema apócrifo:“Os efeitos da promiscuidade e da ausência total de higiene nem sempre se notavam, tão maltratados todos pareciam estar. Banho ninguém tomava há muito tempo. Nem as mãos e os rostos eram lavados. Um dos quartos da arruinada casa, no qual o telhado se apresentava arrebentado, foi transformado em latrina. Aí se abriu uma fossa, junto à parede, para que pudessem todos despejar nela seus excrementos. No correr dos dias, a imundície e o mau cheiro, não havendo como contê-los, evoluíram, inevitavelmente. O fedor desprendia-se tanto dos corpos sujos como das urinas e fezes, com as quais se convivia. Um viver à margem do inferno. Inferno esse, imundo e tenebroso, tanto ou quanto Dante imaginara.”

Na linha de frente, os oficiais igualmente compartilhavam as mesmas tribulações de seus comandados, como narrou o Tenente Túlio Campelo de Souza, da 8a Cia. do 6o R.I.: “Quando em ação na linha de frente, lembro-me de ter tomado no máximo oito ou nove banhos de setembro de 1944 até março de 1945, banhos em rio, no capacete ou em bacias de rosto dos italianos (…) Aliás, a falta de limpeza torna-se hábito, e a sujeira, depois de um certo tempo, parece não sujar mais.”

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