Parece que o nome “Barbudos, sujos e fatigados” incomoda algumas pessoas.

E não são veteranos. Na verdade, essa descrição da suposta condição física da tropa que lutou nos Apeninos é até moderada perto de alguns relatos que ouvi de expedicionários.

Tais relatos estão na área nebulosa das reminiscências de ex-combatentes: pertencem àqueles domínios da memória que muitos fazem questão de evitar, e que costumeiramente são compensados pelas narrativas leves e jocosas ou pelas famosas anedotas. Obviamente, é bem mais fácil se recordar das patrulhas em busca de vinho do que da ocasião em que se precisou lançar o próprio corpo dentro de uma latrina alemã escavada no campo para evitar a morte.

Mesmo apesar disso, parece haver bastante insistência que acaba redundando na idéia de que o assunto FEB só aceita ser tratado com retórica retumbante, rebuscada e bizantina.

E na minha trajetória como pesquisador e historiador, aprendi que não há nada mais injusto com os veteranos do que reduzir sua experiência à suave idéia de uma “gloriosa jornada”, especialmente quando este jargão parte de um civil ou de um militar só acostumados a saberem da guerra por experiência indireta.

Qual é o propósito de relembrar um evento do passado como a FEB, afinal? Tenta-se entender o custo da participação em uma guerra, ou selecionar mais personagens para o altar do culto patriótico? Os mais ufanistas ressentem-se da extinção das aulas de OSPB. Em termos de capacidade de incutir conhecimento histórico, elas eram tão eficazes quanto as aulas dos professores descabelados que comparavam a FEB ao Exército de Brancaleone.

Mesmo a mais apagada das memórias de guerra escrita por um veterano da infantaria da FEB revela um grau de brutalidade e conseqüente capacidade de resistência necessária para suportar as condições da linha de frente que de imediato servem para demonstrar que as palavras “guerra” e “glória” não cabem na mesma sentença.

Quem escreve sobre a FEB não precisa recorrer a artifícios para evidenciar a coragem e resistência de quem enfrentou o inverno italiano e os alemães: as próprias narrativas dos veteranos se encarregam de deixar isso bem claro, por mais modestas que sejam.

Uma resposta para “Parece que o nome “Barbudos, sujos e fatigados” incomoda algumas pessoas.”

  1. Que tal barbeados, limpos e cheirosos? Os extremismos na avaliação da FEB são deploráveis mesmo. Já faz um bom tempo, mas lembro que a OSPB destinava-se a ensinar como funcionava o sistema republicano e as responsabilidades dos seus poderes às crianças.

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