O fim da ANVFEB, depois de 45 anos?

Museu da FEB Será Fechado
(Rio de Janeiro)
Matéria divulgada no Jornal “Correio Brasiliense ”
em 28 de dezembro de 2008.

Pracinhas brasileiros que foram à Segunda Guerra Mundial não conseguem mais sustentar a sede da associação. Com o encerramento das atividades, boa parte da história brasileira pode ser perdida.

Reportagem: Edson Luiz

Não adiantaram os esforços dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que tentaram por todos os meios manter ativa a sede da associação que mantêm no Rio de Janeiro. A partir de 1º de janeiro, a entidade vai fechar suas portas por falta de recursos para a manutenção e pagamento de contas. Conseqüentemente, o Museu da FEB, um dos mais completos do país, também cessará suas atividades. Em reunião realizada esta semana, os veteranos decidiram deixar o local, onde estavam há vários anos e onde guardavam as recordações da Segunda Guerra Mundial.

“A duras penas, conseguimos angariar o interesse da Presidência da República, da Vice-Presidência e do Ministério da Defesa por nossa associação, mas isso tem resultado, somente, em seguidas manifestações de boas intenções a nosso respeito e, lamentavelmente, é comprovável que o inferno é por elas (as boas intenções) assoalhado”, assinalam os veteranos em uma carta enviada para os associados e colaboradores. Segundo a entidade, a crise econômica internacional colocou um ponto final nas pretensões dos pracinhas. Não há dinheiro nem mesmo para postar cartas para os sócios.

Localizada no bairro da Lapa, no Rio, a Casa da FEB, como é chamada a sede da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira, foi inaugurada em 1976 pelo então presidente Ernesto Geisel. Hoje, o prédio de cinco andares não pode mais funcionar e as promessas de um novo local para a construção de novas instalações nunca se concretizaram. Nem mesmo os apelos de um veterano que chegou a abordar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma cerimônia no Itamaraty deu resultado. Com oito funcionários e apenas 10% do quadro de associados original, a entidade manterá aberta apenas a portaria, para receber as contas que continuam chegando. Os oito funcionários serão dispensados.

Mausoléu
Hoje, a única ajuda, além de doações de simpatizantes e das mensalidades dos sócios, é da Diretoria de Assuntos Culturais do Comando do Exército, que envia soldados para fazer a limpeza diária do local e do Mausoléu dos Pracinhas, localizado no Cemitério São João Batista, onde estão enterrados 600 veteranos, incluindo o marechal Mascarenhas de Moraes, comandante das tropas brasileiras na Itália. “A maioria dos dirigentes tem até mesmo ultrapassado o limite de suas possibilidades”, afirmou o presidente da associação, coronel Hélio Mendes, em carta aos associados. “Todos mantêm firmes suas esperanças de continuidade da associação e guardam sua fé nos destinos da pátria”, acrescenta Mendes.

Em agosto, o Correio mostrou a trajetória dos pracinhas brasileiros nos campos de batalha da Itália, quando enfrentaram os inimigos alemães sem ter até condições físicas para tal. Além disso, a reportagem abordou a situação atual dos 3 mil veteranos que ainda estão vivos, com idade superior a 80 anos. Somente este ano, pelo menos cinco morreram, incluindo a enfermeira Aracy Arnaud Sampaio, que foi enviada para a Segunda Guerra junto com outras 72 mulheres e morava em Taguatinga.

“Todos mantêm firmes suas esperanças de continuidade da associação e guardam sua fé nos destinos da pátria”

Coronel Hélio Mendes

Presidente da Associação Nacional dos Veteranos da FEB

3 Respostas para “O fim da ANVFEB, depois de 45 anos?”

  1. Pedro Lages Says:

    É triste, confesso que fiquei com lágrimas nos olhos, ainda mais por não ter tido a oportunidade de conhercer esse recinto tão especial para história da FEB. Infelizmente isso é só um caso do descaso do brasileiro para com a sua história, há vários museus em situação equiparável à Casa da FEB, são esquecidos pelo público e consequetemente pelos políticos. Outra, se tal museu fosse sobre os “revolucionários” da década de 70 as autoridades veriam com outros olhos.

    Agora o que nos resta é torcer para que alguma instituição pública ou privada, podendo ela ser uma universidade, tenha interesse e condições de assumir a Casa da FEB na rua das Marrecas e não deixar parte dessa história morrer.

    Podemos também, tentar enviar tal situação a programas como o CQC que fazem um quadro interessante acerca do descaso dos políticos, além de ser bom para a propaganda é interessante para abrir os olhos gordos dos políticos. Temos que fazer a nossa parte para não deixar uma parte da história da FEB morrer.

    Creio que os febianos tenham um pouco de culpa nisso tudo, sempre tentaram manter as associações por meios-próprios, sempre tiveram um certo egoismo(não é esse o melhor termo) para com elas.

  2. ALCINDO PÉRICLES Says:

    Muito me entristece uma notícias dessas, Participei ativamente da reforma do MUSEU DA FEB e sede ANVFEB, na cidade de SÃO JOÃO DEL REI-MG, e só DEUS sabe o quanto amo esses que são a coluna e esteio da história militar brasileira.

  3. francisco augusto bezerra Says:

    isso me deixo muito chateado com essa situação… nossos heróis pode partir , em materia, mas os seus feitos sempre estarão marcados na nossa história… vamos no mobilizar e manter firme e forte essa casa…

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