MESA REDONDA HISTÓRIA ORAL E MILITARES

Dia 5 de dezembro às 16 horas, Antiga Biblioteca

 

Coordenação:
Juniele Rabelo de Almeida (NEHO-USP)

 

 

ENTREVISTANDO EX-COMBATENTES: MEMÓRIAS DE UMA GUERRA QUE NUNCA ACABOU

FRANCISCO CÉSAR ALVES FERRAZ (Professor da Universidade Estadual de Londrina / UEL-PR).

 

Resumo: O objetivo desta apresentação é colocar em discussão alguns problemas teóricos e práticos da história oral, no estudo da construção social das memórias dos ex-combatentes brasileiros, que lutaram na Segunda Guerra Mundial, compondo a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Após as festas do retorno e os primeiros meses de vida pós-guerra, a grande maioria dos veteranos brasileiros foi sendo lentamente esquecida, seja pelas autoridades governamentais, seja pela sociedade não-combatente, seja pelas diversas experiências de construção de memória social. Assim, neste grupo social, emergem, por um lado, racionalizações e composições de memória conscientes do esquecimento concreto e material, expressado nas dificuldades de reintegração social e profissional dos veteranos, e por outro lado, seu paralelo nas variadas construções memorialísticas sobre a FEB e o papel da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, que evidenciam tensas relações com a memória histórica sobre o tema, construída fora do grupo dos veteranos e seus familiares.

 

OS VETERANOS DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA E SUAS RECORDAÇÕES DA CAMPANHA

CESAR CAMPIANI MAXIMIANO (Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul / UFMS)

 Resumo: As entrevistas com veteranos brasileiros da Segunda Guerra Mundial mostraram-se fonte de informações até então não disponíveis em nenhuma outra documentação existente sobre nossa participação no conflito. Entretanto, dada a natureza da experiência vivida, as tentativas de aproximação e obtenção de relatos de depoentes em muitos casos eram recebidas com relutância. Um problema adicional que se interpôs entre os pesquisadores e seus depoentes veteranos era o receio dos últimos em contradizerem as narrativas oficialmente ratificadas. Apesar das dificuldades próprias da recordação dos eventos de extrema violência vivenciados na guerra, houve um número de expedicionários da FEB que concordou em colaborar com as entrevistas, proporcionando uma versão da experiência de campanha muito mais vasta e multifacetada do que as até então disponíveis antes do emprego dos métodos de história oral.

 

A TRAJETÓRIA DA HISTÓRIA ORAL NA MARINHA BRASILEIRA

DANIEL MARTINS GUSMÃO (Coordenador do Projeto Memória da Marinha do Brasil, Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha / DPHDM-RJ).

 

Resumo: No âmbito da Marinha do Brasil, a organização militar que tem por propósito contribuir para o estudo, a pesquisa e a divulgação da História Naval Brasileira, bem como a conservação da documentação pertinente e do patrimônio histórico e artístico é a Diretoria o Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM). No intuito de promover estudos e pesquisas, sobre assuntos concernentes à história da Marinha e à cultura naval em geral, mantendo o registro desta história, a Marinha iniciou as atividades de registro da memória no século XX, através de gravações de conteúdo variado, sendo que as primeiras foram realizadas na década de 70, estendendo-se até início dos anos 90. Nesta fase, encontramos aproximadamente 300 gravações entre fitas de rolo e fitas K7, com depoimentos de importantes autoridades navais e gravações dos eventos concernentes à divulgação da História Naval Brasileira. Foi no final dos anos 90, que esta atividade ganhou escopo e formou-se uma equipe que obteve treinamento no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas. Desde então se criou o Projeto Memória em 1998, que, em última análise, tem o objetivo de elaborar o registro da História Naval Brasileira, englobando a história administrativa e operativa da Marinha, dos seus navios, estabelecimentos, biografias e dos Corpos e Quadros da Instituição. O conteúdo deste programa baseia-se em depoimentos individuais, enfocando a história de vida dos militares envolvidos direta ou indiretamente nos respectivos temas, contando atualmente com depoimentos de mais de 70 colaboradores. O presente trabalho busca traçar a trajetória da História Oral na Marinha do Brasil, possibilitando divulgar a historiadores, pesquisadores e estudantes o rico acervo que poderá contribuir sobremaneira para a divulgação da História Naval Brasileira.

 

HISTÓRIA ORAL DE VIDA COM POLICIAIS MILITARES GREVISTAS

JUNIELE RABÊLO DE ALMEIDA (Pesquisadora do Núcleo de Estudos em História Oral / NEHO-USP).

Resumo: Em conformidade com os pressupostos da história oral, procura-se empreender reflexões a partir de entrevistas com policiais militares [colônia] que participaram do ciclo de protestos nacional ocorrido no primeiro semestre do ano de 1997 [comunidade de destino] em doze estados brasileiros [redes]. Foram transcriadas 28 narrativas de lideranças e manifestantes dos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Tais narrativas apontam questões para o estudo do repertório da ação coletiva dos policiais militares, em um instigante diálogo entre as especificidades regionais e uma cultura policial militar nacionalmente constituída. A dificuldade de se compatibilizar o princípio da igualdade e o direito de participação, inerentes à democracia, com a especificidade de uma categoria inserida em uma organização rígida, possibilitou a emergência de movimentos grevistas no seio da corporação policial militar no ano de 1997. As manifestações na esfera pública nacional apontaram um novo repertório da ação coletiva policial militar, promovendo o relacionamento dos princípios democráticos com a estrutura de uma corporação marcada por preceitos disciplinares e hierárquicos.

2 Respostas para “MESA REDONDA HISTÓRIA ORAL E MILITARES”

  1. ELIZABETE ALVES LOPES Says:

    meu pai serviu em Monte Castelo, mas nao se aposentou como ex-combatente, nao sabemos porque ele nao requereu o beneficio, se aposentou por problemas mentais, desde que me lembro minha mae que nao tem estudos trabalhava para nos sustentar era uma vida dificil eramos nove filhos eu só cursei o nivel superior aos 33 anos com muita luta. sempre ouvi meu pai contar historias da guerra e sempre falava em Monte Castelo. hoje sou advogada minha mae esta muito doente e recebe pensão por morte deixada pelo meu pai que se aposentou pelo INSS, gostaria de receber ajuda, orientação de como posso reverter a aposentadoria da minha mae para aposentadoria de ex-combatente, o nome de meu pai é DOMINGOS ALVES DOS SANTOS, nascido em lagarto ARACAJU, AOS 19 DIAS DO MES DE FEVEREIRO DE 1919.

  2. Eu to querendo saber qual e a verdadeira historia naval brasileira

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