Novas perspectivas para a história da FEB.

Com exceção dos livros produzidos por veteranos, conta-se nos dedos a literatura sobre a FEB de autoria de quem não participou da Campanha da Itália. Entre estes estão os trabalhos de Maria de Lourdes Ferreira de Lins, Ricardo Bonalume Neto, Francisco César Alves Ferraz, Alfredo Oscar Salun, William Waack e um punhado de teses acadêmicas que, devido à mediocridade do mercado editoral nacional, infelizmente não saíram das prateleiras das bibliotecas departamentais, como a excelente dissertação de Luís Felipe da Silva Neves. Recentemente, o material disponível sobre a FEB foi arejado pelas pesquisas de Dennison de Oliveira, professor da UFPR, especialmente com a publicação de Os Soldados Alemães de Vargas. Oliveira inova a literatura justamente por não propor mais uma abordagem geral dos aspectos já discutidos sobre a campanha, partindo para uma análise de características específicas da tropa brasileira (no caso deste livro, o fato de muitos descendentes de alemães terem sido incorporados à FEB).

E a historiografia da FEB carece justamente de tais abordagens particularizadas: não há nenhum estudo de avaliação comparativa entre as divisões americanas e a divisão brasileira, nem mesmo um estudo do desempenho comparado dos três regimentos de infantaria. Uma vez que a discrepância de preparação das unidades expedicionárias foi profunda, é bem possível que os estágios diferentes de treinamento tenham influenciado a atuação dos três regimentos.

Os combates mais famosos carecem igualmente de estudos mais aprofundados: apesar da importância de Monte Castello e Montese para a história da FEB, não há pesquisas que tenham dedicado maior atenção a tais episódios. As demais unidades permanecem ignoradas: fora os livros escritos por veteranos, não há estudos sobre o serviço médico ou religioso, ou sobre o Esquadrão de Reconhecimento.

A possibilidade de produzir uma historiografia mais completa e abrangente sofre também de um problema de ordem documental: os próximos dez anos serão cruciais para a preservação da história da FEB: desde o início do século XXI, o número de veteranos tem decrescido de forma drástica. Ainda há muitos aspectos da Campanha da Itália cujos únicos registros remanescentes consistem da memória individual dos participantes. Sem projetos sistemáticos de entrevistas com veteranos seguindo os métodos da história oral, uma importante parcela da história da FEB vem se perdendo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: